#ALAGOAS | Número de casos de hanseníase aumenta em Alagoas, diz Sociedade Brasileira de Dermatologia

Levantamento aponta que foram 306 notificações em 2017 e 357 em 2018. Em nove anos, foram registradas 21 mortes foram causadas pela doença.

Por Carolina Sanches, G1 AL
O número de casos de hanseníase aumentou em Alagoas, segundo dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Foram 306 notificações, em 2017, e 357, em 2018. Os dados apontam ainda que, em nove anos, o estado registrou 21 mortes causadas pela doença.

O levantamento apontou que, em 20 anos, a hanseníase atingiu 768 mil brasileiros. Em Alagoas, neste período, o número chega a 7.649 notificações. Em 1999, foram registrados 289 novos casos. Em 2016, esse dado baixou para 273. Já em 2017 foram 306 notificações, e 357, em 2018.

Mesmo com as constantes campanhas educativas, com foco no diagnóstico precoce, a detecção de novos casos tem indicado uma média de 38 mil registros por ano, no período. Atualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) coloca o Brasil no segundo lugar no mundo em casos de hanseníase. Perde apenas para a Índia, que em 2017 apresentou 126.164 registros.

Para a coordenadora da Campanha Nacional de Hanseníase da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Sandra Durães, trata-se de uma doença que afeta, sobretudo, regiões com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). “Apesar de o Brasil ser considerado uma potência econômica, a existência de desigualdades regionais repercute na forma como o registro de novos casos se materializa”, explicou.

Sobre o crescimento dos casos, a Sociedade aponta diversos fatores, entre eles a dificuldade de acesso da população aos serviços de saúde, principalmente no Norte, Centro-Oeste e Nordeste, levando ao diagnóstico tardio.

Nessas duas décadas analisadas, no Brasil, as maiores detecções de novos casos, em números absolutos, foram registradas no Maranhão (84.628 notificações); Pará (83.467); Mato Grosso (63.779); Pernambuco (57.355); e Bahia (52.411).

Entre 1999, quando o Brasil contabilizou 43.617 registros da doença, e 2016, onde esse total baixou para 25.214, houve uma redução nos números. Porém, os dados do Ministério da Saúde apontam uma pequena alta a partir de então, com 26.875 notificações, em 2017, e 28.657, no ano seguinte.

“Isso não significa necessariamente uma piora repentina. A doença não se comporta como uma epidemia viral. Na verdade, é a prova de que a rede de atendimento, buscou mais ativamente os casos para fazer o diagnóstico mais precoce. Contudo, mostra que o volume de pessoas portadores da hanseníase ainda é significativo, sendo que muitos não sabem que possuem essa condição”, alerta Egon Daxbacher, diretor da SBD e especialista no assunto.

Segundo Daxbacher, esse aumento no número de novos casos detectados, entre 2016 e 2018, resulta de mudanças na estratégia de prevenção e combate à doença. Dados do Ministério da Saúde apontam, por exemplo, que houve aumento no total de casos detectados a partir de ações como campanhas, exames feitos em pessoas que mantém contato (direto ou periférico) com pacientes e exames de coletividade.

Sintomas e tratamento

A hanseníase era conhecida popularmente como lepra, uma doença milenar com registros até na Bíblia. O diagnóstico precoce e é essencial para evitar sequelas graves e facilitar o tratamento, disponibilizado de graça pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A doença se manifesta principalmente por meio de lesões na pele e sintomas neurológicos, como dormência e diminuição de força nas mãos e nos pés. Seu diagnóstico, tratamento e cura dependem de exames clínicos e, principalmente, da capacitação do médico.

Em Alagoas, nos casos mais graves da doença, o paciente é encaminhado para um dos 4 centros de referência no estado: o Hospital Universitário e o II Centro de Saúde, em Maceió; o Centro de Referência Integrada de Arapiraca ou o Ambulatório da Hanseníase, em Delmiro Gouveia.

Capacitação médica

O presidente da SBD, Sergio Palma, afirma que a entidade tem colaborado com a capacitação de médicos de outras especialidades e generalistas, o que contribui para o fortalecimento da rede de detecção dessa doença. “No entanto, fica o alerta: quando descoberta e tratada tardiamente, a hanseníase pode trazer deformidades e incapacidades físicas”, ressaltou.

A hanseníase apresenta uma taxa de mortalidade relativamente baixa, em comparação com o número de casos diagnosticados no período. Entre 2008 e 2017, em todo o Brasil foram registrados 1.801 óbitos decorrentes dessa doença. O maior volume de mortes aparece no Maranhão (269), Bahia (136), Ceará (135), Rio de Janeiro (134) e Pará (126). Em Alagoas, foram 21 mortes causadas pela hanseníase de um total de 790 em todo o Nordeste.

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