Produtores do Piauí ganham mudas de Caju anão-precoce, após 10 anos de seca

Mudanças climáticas e ataque de pragas mataram centenas de cajueiros no Piauí, segundo maior produtor de castanha no Brasil. Espécie clonada, desenvolvida pela Embrapa, contornou a falta de chuva no semiárido nordestino.

André Corrêa – De Brasília

Neste sábado (15) agricultores Familiares de Santa Rosa e de Morro Redondo, pequeno povoado no município de Oeiras – PI, distante 313 km de Teresina, receberam mudas de caju anão-precoce. Uma planta clonada, desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa. Cada família recebeu 200 mudas e a promessa da Secretaria de Agricultura Familiar do Estado é distribuir 200 mil plantas.

Os próximos municípios que receberão as plantas estão localizados no Vale do Guaribas, do Itaim, do Sambito e no Vale do Canindé, regiões do semiárido com vocação ao cultivo do caju. Para receber as mudas as famílias precisam estar inscritas em programas como Projeto Viva o Semiárido, Programa de Aquisição de Alimentos, Garantia Safra ou Crédito Fundiário. Também precisam apresentar a Declaração de Aptidão Ativa e garantia de acompanhamento técnico.

O caju anão-precoce BRS 226, criado em 2002, é um clone resultado de seleção com alta produtividade, pequeno porte, resistência a pragas e que começa a produzir após três anos do plantio. Ele vem resistindo bem a falta de chuva que assola o semiárido nordestino desde 2010. Além do bom desempenho na produção de castanha, cerca de 800kg por hectare, proporciona o aproveitamento do pedúnculo, ou falso fruto, usado na indústria de suco e na venda do fruto in natura. Por ser uma planta baixa, com no máximo três metros de altura na fase adulta, proporciona a colheita no pé preservando o produto para ser comercializado como “caju de mesa”, armazenado em bandejas que aumentam a vida útil de dois para quinze dias. Outra tecnologia desenvolvida pela Embrapa.

Entenda o caso

Nos primeiros anos de seca, por volta de 2013, os agricultores viram morrer seus cajueiros tradicionais, menos resistentes a falta de chuva e ao ataque de pragas e doenças como a resinose, fungo que ataca o tronco e as raízes da planta. Pomares inteiros viraram lenha nos chapadões do semiárido nordestino. Foi o caju anão-precoce, conhecido entre os cajucultores locais como “226”, quem mudou a história. No cajueiro tradicional, com seus quase vinte metros de altura na fase adulta, a coleta do pedúnculo era só nas partes baixas da planta. As castanhas eram colhidas de frutos caídos no chão. O ataque de pragas e doenças reduziam a produtividade e em muitos casos levavam a morte do cajueiro. Por meio de pesquisas a Embrapa desenvolveu uma espécie resistente a todos estes atores indesejados.

Serviço

Cronograma de entrega das mudas:

10 mil mudas para o município de Oeiras; 28 mil no Vale do Canindé; 2 mil no município de São Francisco de Assis; 3 mil no município Santa Rosa; 3 mil no município Colônia do Piauí; 3 mil no município São João de Varjota.

Até o fechamento desta publicação a lista de municípios e o cronograma de entrega das outras 151 mil mudas não foi divulgado pela Secretaria de Agricultura Familiar do Estado do Piauí.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *