Corrupção: o vírus que mais mata no Brasil

‘A corrupção é um vírus que persiste em nossa sociedade causando
males imensuráveis e que está se revelando ainda mais cruel com a
chegada do novo coronavírus.’

Quando surgiram as primeiras notícias relacionadas ao novo coronavírus parecia tratar-se de uma epidemia que estaria restrita as fronteiras da China, como em outras ocasiões. Poucas pessoas poderiam imaginar que em questão de poucos meses estaríamos enfrentando uma pandemia global que causaria milhares de mortes pelo mundo, culminando na maior crise sanitária desse século.

Os sintomas causados pela Covid-19 representaria um desafio para além da área da medicina, colocando em risco a saúde econômica mundial sem fazer distinção entre países ricos ou pobres. A partir de então, todos os esforços políticos estariam voltados para o enfrentamento do novo coronavírus, na corrida para produzir uma vacina e na elaboração de uma receita econômica para remediar os efeitos da crise.

No Brasil, o risco de uma epidemia representou uma oportunidade para alguns políticos se promoverem a custa do sofrimento do povo. Como é o caso do Governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), que tentava desvincular sua imagem da família Bolsonaro ao virar um desafeto declarado do Presidente Jair Messias Bolsonaro (sem partido). Aproveitando a confirmação dos primeiros casos de contaminação no país, Witzel despontou entre as lideranças políticas ao anunciar medidas restritivas e a construção de hospitais de campanha – aumentando sua popularidade ao encabeçar um embate com o
Presidente.

Desde então, assistimos ao crescimento do número de casos de Covid-19 no Estado do Rio de Janeiro enquanto as promessas feitas pelo Governador não foram efetivadas. Apenas um dos sete hospitais de campanha prometidos, com prazo de entrega para 30 de abril, foi inaugurado até a data atual – a unidade Maracanã. Esse atraso está relacionado aos indícios de corrupção com verba pública que resultou na prisão de cinco pessoas, entre elas dois ex-subsecretários executivos da Secretaria Estadual de Saúde: Gabriell Neves e Gustavo Borges.

O próprio Wilson Witzel teve seu nome ligado a um esquema de corrupção envolvendo uma organização social contratada para instalação dos hospitais de campanha e membros da cúpula da gestão do sistema de saúde do Estado.
No dia 26 de maio, a Polícia Federal deflagrou a Operação Placebo com mandado de busca e apreensão no Palácio das Laranjeiras, residência oficial do Governador, para apurar “indícios de desvios de recursos públicos destinados ao atendimento do estado de emergência de saúde pública de importância internacional, decorrente do novo coronavírus no estado”.

Só no Estado do Rio de Janeiro foram investidos cerca de 1 bilhão em contratos emergenciais sem licitações, sob alegação do risco do sistema de saúde pública entrar em colapso em decorrência da Covid-19. Como se antes da crise epidêmica tudo estivesse funcionando em perfeita ordem. Só que ao observar os fatos fica evidente que o vírus está no próprio sistema político, debilitando o organismo social.

A corrupção é um vírus que persiste em nossa sociedade causando males imensuráveis e que está se revelando ainda mais cruel com a chegada do novo coronavírus. Afinal, quantas pessoas vão morrer por falta de respiradores mecânicos? Quantas vão morrer por falta de leitos e atendimento médico? Quantas vão morrer por falta de medicamentos e tratamento adequado?

Outros Estados passam pelo mesmo problema, sem colocar na conta do vírus
da corrupção a responsabilidade por essas e outras mortes.

Por Cleber Araújo – Jornalista / RJ.

Um comentário em “Corrupção: o vírus que mais mata no Brasil

  • 25 de junho de 2020 em 11:14
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    Realmente… mais cruel do que o Corona vírus é esse vírus chamado “corrupção”, que infelizmente está entranhado na nossa corrente sanguínea.
    Será que o Rio não vai ter um governador que preste, pq os últimos…🤦🏻‍♂️😢

    Parabéns pelo artigo Cleber Araújo

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