Pias Comunitárias são instaladas na Rocinha como medida preventiva contra a Covid-19

Atendendo a Associação de Moradores da Rocinha, a Prefeitura do Rio de Janeiro está instalando pias comunitárias como recurso preventivo para reduzir a propagação do coronavírus na comunidade. Conforme matéria divulgada pelo jornal comunitário Fala Roça, serão instaladas 68 pias em pontos estratégicos da Rocinha para facilitar o acesso dos transeuntes à higienização das mãos – ao mesmo tempo em que promove a conscientização sobre a importância dessa medida no combate a Covid-19.
Como parte do serviço, sabonetes estarão disponíveis junto às pias que serão ligadas na rede pública de distribuição de água. Ao longo da Estrada da Gávea, principal via de acesso à comunidade, já é possível encontrar algumas dessas pias sendo incorporadas à rotina comunitária.
É preciso exaltar toda iniciativa destinada a reduzir os riscos de proliferação do novo coronavírus nos territórios de periferia. A instalação de pias na Rocinha colabora para que uma das recomendações mais enfatizadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) esteja presente no cotidiano dos seus moradores. Contudo, não podemos tapar o sol com a peneira.
Uma das preocupações manifestadas em relação as favelas, diante do risco de uma epidemia, fazia referência a constante falta de água que acontece nesses territórios – visto como um dos fatores agravantes para propagação do novo coronavírus.
A Rocinha não está fora dessa realidade. Apesar de localizada numa região (zona Sul) que não registra problemas com serviço de abastecimento prestado pela Cedae, é comum a queixa de falta de água pela sua população, sobretudo nas áreas mais carentes da comunidade. Cabe as lideranças comunitárias proporem aos representantes políticos iniciativas como essa, assim como a responsabilidade de cobrar os serviços públicos essenciais que venham a garantir a dignidade humana.
Importante entender que isso é uma ação para mitigar um problema pontual e não uma política pública para atender uma demanda social relacionada a falta de água na Rocinha. Caso contrário, essa iniciativa tende a ser assimilada como uma espécie de “política da bica d’água, tal qual vivenciada nos anos de 1970 – quando políticos formavam currais eleitorais com a promessa de resolver problemas relacionados à carência de serviços básicos, como instalar bicas comunitárias para suprir a ausência do abastecimento de água nas favelas em troca de
votos.

Por Cléber Araújo / Jornalista RJ
Foto: Cléber Araújo

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