Witzel recorre ao STF para retomar o comando do governo do Rio

Na tentativa de sobrevivência política, Wilson Witzel recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para retomar o comando do governo no Rio de Janeiro. O pedido de suspenção da decisão do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Benedito Gonçalves, contesta a liminar que determinou o afastamento por 180 dias do mandatário estadual.

No recurso que tramita em segredo de justiça na suprema corte, a defesa do governador alega que a determinação de afastamento, que aconteceu de forma monocrática, antecedeu o recebimento da denúncia que o tornaria réu – sugerindo que seja reconsiderada a decisão de Benedito Gonçalves por caracterizar cerceamento do direito de defesa.

Nas redes sociais, algumas personalidades influentes já haviam questionado a decisão do ministro em relação ao afastamento de Witzel, apesar de concordarem que a sua permanência no governo é insustentável. As manifestações não são em defesa do governador, mas questionando se essa medida não seria mais uma decisão autoritária do judiciário. Roberto Freire do partido Cidadania foi um que usou a sua conta do Twitter para se posicionar:

“É um exagero um ministro do STJ de forma monocrática afastar um governador do cargo. Infelizmente o Rio não é espaço apenas para disputas entre traficantes, mas é também para briga de ex-comparsas, hoje desafetos políticos”. Ponderou Freire.

O fato é que essa decisão foi comemorada nas diferentes esferas políticas, indicando que o governador segue em queda livre sem ter onde segurar. Isso porque além da oposição dos partidos de esquerda, que sempre condenaram seu modelo de gestão, Witzel perdeu o apoio da ala bolsonarista ao virar um desafeto declarado do Presidente Jair Messias Bolsonaro.

Isolado politicamente, a única alternativa que resta ao ex-juiz é apelar judicialmente na expectativa de reverter essa difícil situação. O recurso de defesa encaminhado ao STF está nas mãos do ministro Dias Toffoli que solicitou ao STJ e ao MPF informações sobre o caso para pautar sua decisão. Paralelo a liminar do STJ e os seus desdobramentos, o impeachment de Wilson Witzel está em processo na Alerj.

Cleber Araujo – jornalista/RJ
Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil

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