Câmara do Rio rejeita terceiro pedido de impeachment de Crivella

Na última quinta-feira (17/09) a Câmara Municipal do Rio de Janeiro rejeitou a denúncia de infração político-administrativa contra o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos). Com placar de 24 a 20 o terceiro pedido para abertura de impeachment de Crivella não foi acolhido pela Casa Legislativa.

Passado apenas duas semanas da votação que rejeitou um pedido de impeachment do prefeito, os vereadores novamente usaram a tribuna da plenária, numa sessão que ocorreu em ambiente virtual e presencial, para debater outra denúncia contra o governo de Crivella.

O novo pedido de abertura de impeachment protocolado pela presidente do Diretório Municipal do PSOL, Isabel Lessa, foi embasado na recente operação coordenada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro que levou ao cumprimento de mandados de busca e apreensão na prefeitura, no palácio da cidade e na residência de Marcelo Crivella. As investigações apuram os indícios de participação do chefe executivo do Rio num suposto esquema de corrupção na administração municipal.

Para a vereadora Teresa Bergher (Cidadania) a Câmara do Rio está sendo omissa ao não aprovar a abertura do processo de impeachment, destacando que, desta vez, a fonte das provas é o Ministério Público Estadual e não a imprensa. Luciana Novaes (PT) afirmou que é papel do legislativo investigar a prefeitura do Rio e que, segundo ela, haveria diversos indícios de crimes cometidos pelo chefe do executivo municipal.

Contrário ao posicionamento de que a abertura do processo de Impeachment seria uma oportunidade para investigar os indícios de crimes cometidos pelo prefeito – como sugeriu Reimont (PT) -, o Doutor Gilberto (PTC) alegou que já foi instalada uma CPI para apurar o caso e que, até o momento, não há um ato que comprove o envolvimento de Crivella em esquema de corrupção. Também contrário ao acolhimento da denúncia, o vereador Marcello Siciliano (Progressistas) criticou o pré-julgamento das pessoas e ponderou que até o início das investigações não há nada contra Marcelo Crivella.

Apesar de manter uma base forte no legislativo para assegurar sua permanência como prefeito, Crivella sai desses embates desgastado politicamente em meio a corrida para as eleições que decidirá em novembro quem será o novo mandatário do Rio.

A suspeita de seu envolvimento em esquema de corrupção prejudica ainda mais o processo eleitoral desse ano, já que seu principal adversário, Eduardo Paes, também é alvo de investigações pela operação Lava Jato. Por esse contexto, é certo que as campanhas eleitorais estarão mais focadas em acusações e ofensas do que em propostas políticas – estando o cidadão carioca sujeito a votar no candidato menos pior.

Cleber Araujo – jornalista/RJ
Foto: Câmara Rio

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