Pesquisa revela que milícia domina quase 60% do território da cidade carioca


Um estudo realizado para mapear a extensão do domínio dos grupos criminosos no Estado Fluminense revelou que apenas 2,4% da população carioca não estão sob a influência direta do poder paralelo. Os resultados dessa pesquisa indicam que 57,5% do território do Rio de Janeiro são controlados pelas milícias, enquanto 15,4% estão sob o domínio das facções criminosas: Comando Vermelho (11,4%), Terceiro Comando Puro (3,7%) e Amigo dos Amigos (0,3%).

Para além dos territórios controlados pelas milícias (57,5% – 41 bairros) e pelas facções criminosas (15,4% – 55 bairros), outros 25,2% de extensão territorial da cidade (52 bairros) estão em disputa pelos respectivos grupos criminosos que buscam o controle absoluto dessas localidades. Ou seja, apenas 13 bairros do Rio não estão sob o domínio do poder paralelo – que representa 1,9% pela perspectiva territorial.

Impressiona observar a expansão das milícias que, ao dominar quase que 60% do território da cidade, mantêm influência sobre mais de 2 milhões de pessoas. É importante ressaltar que a exploração praticada pelos grupos paramilitares vai além da questão econômica, entrando inclusive no campo político com os currais eleitorais para colocar nas instituições políticas os seus pares. Infelizmente, nas eleições desse ano 33,1% dos eleitores do município do Rio estarão sujeitos às interferências autoritárias desses criminosos para colocar no poder os seus representantes legais.

Diferente das facções criminosas, a influência dos milicianos não está restrita às fronteiras dos seus domínios. Na verdade, a expansão territorial das milícias reflete a influência desses criminosos na esfera pública, que cresceram a revelia das autoridades desde o seu surgimento no começo dos anos 2000. Os números dessa pesquisa resultam de um trabalho colaborativo envolvendo as instituições Datalab Fogo Cruzado, Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense, Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo, Disque-Denúncia e a plataforma digital Pista News – que foi realizado durante os últimos 18 meses com informações referentes ao ano de 2019.

Cleber Araujo – jornalista/RJ
Foto: Arquivo R7

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