Governo do Ceará trabalha para capacitar setor e desenvolver pesca do atum de forma sustentável


O item “atum e afins” era praticamente inexistente na pauta de exportações cearenses até 2016. E essa espécie, muito disputada no mercado internacional, era pouco valorizada no mercado regional, que estava mais voltado a captura de outros tipos de peixes, lagosta e o camarão. Contudo, em 2019 as exportações de atum superaram US$ 3,5 milhões.

O potencial da costa oceânica cearense, com 573 quilômetros de extensão, e sua pouca exploração em águas profundas, está atraindo investidores internacionais. E o estado vem trabalhando projetos para participar com mais ênfase dessa rede de negócios mundial, que movimenta bilhões de dólares – desde a pesca e processamento até chegar ao consumidor final.

No ano 2020, o Governo do Ceará, por meio da Secretaria do Desenvolvimento Econômico (Sedet), trabalhou em duas frentes: manter indústrias instaladas e atrair outras empresas do setor para o estado; e também qualificar barcos pesqueiros cearenses para capturar o atum e conservar a qualidade do peixe em elevados padrões até chegar ao setor de processamento.

No decorrer deste ano foram capacitados 38 pequenos armadores nos municípios de Itarema e Camocim, numa parceria como o Ministério da Agricultura (Mapa). Número que parece pequeno para um negócio que desperta atenção de muitos países, mas que faz sentido quando se analisa o que ocorreu com a pesca em grande escala em outras partes do mundo.

É praticamente consenso que a pesca industrial intensiva, com uso de redes, reduziu muito o estoque de atum em muitas regiões do planeta. E também capturava outras espécies marinhas de baixo valor comercial, que eram praticamente descartadas, causando duplo prejuízo ambiental. Por isso o Ceará trabalha para entrar de forma mais sustentável nesse mercado.

“A pesca com redes já não é bem vista, por isso a captura com anzol torna o produto mais valorizado no mercado mundial, pois é mais sustentável do ponto de vista ambiental”, observa José Maria, que dirige a Crusoe Foods, de origem espanhola, e que processa pescados para atender o mercado nacional e estrangeiro a partir do município cearense de São Gonçalo do Amarante.

“Além de um produto de um atum de excelente qualidade no litoral nordestino, levamos em conta a sustentabilidade da atividade; somos a única companhia do setor com certificação internacional”, acrescenta José Maria, cuja empresa no Ceará emprega cerca de mil pessoas de modo direto e indireto no Ceará – incluindo a tripulação de 100 pequenos barcos de pesca.

Ele afirma que o Ceará tem plenas condições de triplicar a produção de atum em águas profundas de forma sustentável. “Tivemos recentemente a visita em São Gonçalo do Amarante de um grande importador norte-americano, que aprovou nossas instalações e processos. É uma imensa janela de mercado que está se abrindo para o atum pescado no Ceará, acrescenta”.

Na avaliação do titular da Sedet, Francisco de Queiroz Maia Júnior, a pesca organizada e com produtos de qualidade deve ser considerada como um ativo importante do estado. “Precisamos formar pessoas, uma escola voltada uma logística eficiente, regulamentação. A economia do mar, que vai além da pesca, está no plano de desenvolvimento do Ceará para as próximas décadas”.

Fonte: Governo CE

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