Comissão aprova indicações para México, Jamaica e Gabão


A Comissão de Relações Exteriores do Senado (CRE) aprovou nesta segunda-feira (14) em reunião deliberativa semipresencial os nomes de Fernando Estellita Lins de Salvo Coimbra, Elza Moreira Marcelino de Castro e José Marcos Nogueira Viana, indicados para chefiar, respectivamente, as embaixadas do Brasil no México, na Jamaica e no Gabão. Todos receberam 13 votos favoráveis e nenhum contrário. As indicações seguem para análise do Plenário do Senado. 

Indicado para o cargo de embaixador do Brasil no México, o diplomata Fernando Estellita Lins de Salvo Coimbra afirmou durante sabatina que pretende trabalhar pelo crescimento do comércio bilateral e pelo aumento da presença cultural brasileira no México.

Em 2019, o fluxo comercial os dois países passou de U$ 9,1 bilhões (quase R$ 50 bilhões), segundo dados do Itamaraty. A balança comercial é favorável ao Brasil, com saldo positivo de 700 milhões de dólares. O diplomata considera positivos os acordos para o livre comércio de caminhões e ônibus e suas autopeças, que prevê redução tarifária progressiva até a liberalização total nos próximos anos. Ele avalia que a redução das barreiras entre os países em outros setores também pode contribuir para a superação da crise causada pela pandemia.

— É um comércio rico, denso, centrado em produtos manufaturados de alto valor agregado. Vou trabalhar par acentuar esse dinamismo. Penso que há potencial para incremento e estou convencido que nossa embaixada deve contribuir para esse esforço de ampliação a fim de reverter impactos econômicos da covid. Pretendo realizar esforços de sensibilização do governo e do empresariado mexicano rumo a um regime de livre comércio entre os dois países — apontou.

Ampliar a promoção da cultura brasileira por meio das artes e do ensino do português e promover o Brasil como destino turístico para os mexicanos estão entre outras prioridades de Fernando Estellita Coimbra, se ele assumir a chefia da missão diplomática brasileira no México.

A indicação (MSF 88/2020) teve parecer favorável do senador Esperidião Amin (PP-SC), que ressaltou o currículo do indicado e a relação fraterna entre Brasil e México.

Coimbra é bacharel em Antropologia pela Universidade de Brasília (UnB). Em 1986, concluiu o curso de preparação à carreira diplomática, no Instituto Rio Branco.

No exterior, serviu na embaixada em Washington de 1991 a 1994, na embaixada em Quito de 1994 a 1998, na Missão junto à ONU em Nova Iorque de 2000 a 2004, na embaixada em Nova Delhi de 2004 a 2007, e na embaixada em Lisboa de 2010 a 2011. É o embaixador em Nairóbi desde 2018.

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Jamaica

Aprovada para assumir a embaixada do Brasil na Jamaica, a diplomata Elza Moreira Marcelino de Castro disse observar potencial para o incremento da venda de carnes para o país caribenho.

— Temos exportado bastante, mas existem barreiras sanitárias. A Jamaica tem rígidos controles. Eu me esforçarei para encontrar soluções mediante parcerias que permitiriam processar a carne brasileira na Jamaica. As carnes congeladas e resfriadas são as que justamente encontram maior resistência — apontou.

O intercâmbio comercial entre o Brasil e a Jamaica totalizou U$S 76 milhões em 2019, com saldo amplamente favorável ao Brasil, da ordem de US$ 74 milhões. Os principais produtos exportados pelo Brasil para a Jamaica são: madeira, ferro e aço, combustíveis, cerâmicos e preparações de carnes, além de máquinas, papel e embarcações.

O relatório sobre a MSF 84/2020 foi apresentado pelo presidente da CRE, senador Nelsinho Trad (PSD-MS). Elza de Castro graduou-se em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais em 1975. Ingressou no Curso de Preparação à Carreira Diplomática (CPCD) do Instituto Rio Branco em 1980. Foi aprovada no Curso de Aperfeiçoamento de Diplomatas (CAD) em 1993 e no Curso de Altos Estudos (CAE), em 2007, ambos do Instituto Rio Branco.

No Exterior, serviu no Consulado-Geral em Genebra; nas embaixadas em Moscou, Lima, Paris e Dublin, além do Consulado-Geral em Caracas como cônsul-geral. Em 1997 a diplomata recebeu a Medalha do Pacificador (Brasil) e em 2018 foi agraciada com a Ordem do Rio Branco (Brasil), no grau Grã-Cruz.

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Gabão

José Marcos Nogueira Viana, que recebeu o apoio da CRE para comandar a embaixada do Brasil no Gabão, disse que o comércio com o Gabão é superavitário para o Brasil, mas que há espaço para crescimento.

— O Gabão é a quarta maior renda per capita na África. Isso nos permite manter um comércio com o Gabão superavitário. O Brasil há décadas exporta mais do que importa do Gabão. Exportamos produtos industrializados como aviões da Embraer, motores elétricos, carne bovina e suína. Há muito espaço para crescer — avaliou.

A República Gabonesa, cujo capital é Libreville, é um país da costa oeste da África, com cerca de 2 milhões de habitantes. O volume de comércio entre Brasil e Gabão corresponde, principalmente, às exportações brasileiras, que tradicionalmente se concentraram em carne e miudezas comestíveis (aproximadamente 70% da pauta). As relações comerciais atingiram seu ponto mais alto em 2014, quando o volume de intercâmbio chegou a US$ 49 milhões. Após a queda nas exportações em 2017, quando ficaram abaixo dos US$ 30 milhões, verificou-se uma retomada.

A indicação de Viana (MSF 90/2020) teve parecer favorável do senador Acir Gurgacz (PDT-RO).

Natural de Belo Horizonte, José Marcos Nogueira Viana formou-se em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1984 e ingressou na carreira diplomática no ano seguinte. Serviu nas embaixadas em Paramaribo (Suriname), Viena (Áustria), Trípoli (Líbia), La Paz (Bolívia) em em Roseau (Dominica). Desde 2016, é o embaixador em Mascate (Omã).

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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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