Ambulatório de Cuidados Paliativos do HGF proporciona qualidade de vida a pacientes


Equipe do Ambulatório de Cuidados Paliativos em atendimento

Em funcionamento há pouco mais de um mês, o Ambulatório de Cuidados Paliativos do Hospital Geral de Fortaleza (HGF), da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), do Governo do Estado, presta atendimento especializado a pacientes de alta complexidade que receberam alta da unidade.

“Esse ambulatório vem consolidar todo um trabalho em equipe e um método de atendimento baseado no paciente, no cuidado com a família”, afirma a médica e coordenadora do Ambulatório, Raisa Carvalho. Apesar de o serviço já existir na unidade desde 2014, ainda não havia atendimento eletivo, ou seja, por hora marcada. “Agora, estamos tendo a oportunidade de fazer um acompanhamento contínuo, de forma mais minuciosa e particularizada”, completa
.
O Ambulatório funciona às quartas-feiras no turno da tarde. O serviço é voltado para pacientes que receberam alta das Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) e das enfermarias do HGF. “A princípio, são pacientes que já vínhamos acompanhando. É uma forma de facilitar a desospitalização, que é vantajosa tanto para o hospital quanto para a qualidade de vida do paciente”, ressalta Raisa. A ideia é que, posteriormente, o Ambulatório possa receber também pacientes encaminhados de outras unidades de saúde do Estado.

Mas, afinal, o que são os cuidados paliativos?
Cuidados paliativos consistem na assistência promovida por uma equipe multidisciplinar, que tem como objetivo proporcionar qualidade de vida a pacientes e seus familiares diante de uma doença que ameace a vida. A médica e coordenadora do serviço no HGF, Giselle de Almeida, destaca a importância do acompanhamento para a saúde física e mental dos pacientes.

“São cuidados que atendem o que chamamos de ‘dor total’, que abrange, além das dores físicas, as dores sociais, psicológicas e espirituais. Os pacientes são muito frágeis física e emocionalmente, por isso precisam muito do atendimento multidisciplinar”, afirma.

A equipe multidisciplinar dos Cuidados Paliativos do HGF é composta por sete médicos, dois enfermeiros, dois psicólogos, dois assistentes sociais, um fisioterapeuta, um fonoaudiólogo, um terapeuta ocupacional e um nutricionista. “A gente tenta ver quais são os desejos do paciente e buscamos uma forma de atender de acordo com nossas possibilidades. Às vezes, é um pedaço de bolo; às vezes é apenas um pouco de atenção”, ressalta a assistente social Jordânia Damasceno.

O desejo de Maria Magali Queiroz Bezerra era ver os netos. Aos 65 anos, a professora ficou internada por três meses no HGF após descobrir um câncer em fase avançada. “Infelizmente, não havia cura para o caso dela”, relembra a filha, Lorena Cordeiro, 35, que veio do Rio de Janeiro para ficar com a mãe. “Apesar do momento tão doloroso, a equipe de Cuidados Paliativos fez com a gente sentisse um pouco mais de conforto. Eles conseguiram a permissão para que meus filhos pudessem visitar a avó. Eu sou da área de saúde, mas nunca tinha presenciado isso. Foi extremamente emocionante todo o cuidado que tiveram com a gente”, conta.

Luta contra estigmas

A coordenadora do serviço de Cuidados Paliativos do HGF explica que ainda hoje existe o pensamento equivocado de que a assistência é voltada apenas para pacientes sob risco iminente de morte. “Muita gente acha que Cuidados Paliativos são apenas para pacientes que estão falecendo, mas isso não é verdade. Nosso trabalho tem como objetivo a desospitalização e a promoção da qualidade de vida de pacientes que possuem doenças complexas”, enfatiza.

É o caso de Ana Hélia Paiva Nunes (20). Há cinco anos, a jovem foi diagnosticada com Doença Indiferenciada do Tecido Conjuntivo (DITC), distúrbio autoimune ainda sem cura que afeta majoritariamente o sistema conjuntivo. “Já passei por maus bocados, mas hoje estou bem melhor. Acho que se não tivesse conhecido ela (a equipe de Cuidados Paliativos do HGF) na época em que estive internada pela primeira vez, não seria a pessoa que sou hoje. Levo as coisas de forma bem mais simples e leve do que levava antes”, compartilha.

É este tipo de relato que estimula ainda mais a missão da equipe multidisciplinar do HGF. “Uma das coisas mais gratificantes pra gente é poder acompanhar a evolução de um paciente de um estado grave até a melhora, quando ele agradece pelo que fizemos. São os pequenos milagres que a gente vive todos os dias”, conta a enfermeira Vitória Ferreira.

Fonte: Governo CE

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