Deputados pedem transparência na construção de acordo entre a Vale e o governo de Minas Gerais


Ricardo Stuckert
Bombeiros e cão farejador trabalham no resgate em Brumadinho
Rompimento da barragem deixou 259 mortos, 11 desaparecidos e danos no Rio Paraopeba

A construção de um acordo entre o governo de Minas Gerais e a mineradora Vale, para reparação dos danos provocados pela tragédia de Brumadinho (MG), está sendo acompanhada de perto pela Câmara dos Deputados. Uma comissão externa formada por deputados busca transparência na negociação.

Na próxima segunda-feira (21), às 16 horas, a comissão tem reunião virtual com o secretário de Planejamento de Minas, Oto Reis.

O governo de Minas Gerais pede R$ 26,6 bilhões como compensação econômica, social e ambiental. O Ministério Público do Estado acrescentou mais R$ 28 bilhões a título de danos morais, num total de R$ 54 bilhões. A Vale, segundo divulgou a imprensa, fez uma contraproposta de R$ 16,5 bilhões. A discussão não inclui os acordos individuais com os atingidos pelo transbordamento da barragem em Brumadinho.

Transparência
O coordenador da comissão externa, o deputado Rogerio Correia (PT-MG), destacou que o objetivo dos deputados é justamente dar voz aos atingidos. Ele assinalou como dos pontos altos nos trabalhos até o momento a reunião com o juiz responsável pela definição de um acordo entre a Vale e o governo mineiro.

“Nós fizemos uma reunião com o juiz responsável pelo julgamento dessa ação e que está também intermediando esse possível acordo. E a posição do juiz é muito clara: ele vai submeter isso aos atingidos, que é uma das preocupações nossas, nós não podemos permitir que haja confidencialidade e que os principais interessados não tenham acesso aos dados e ao poder final de decisão.”

Rogério Correia informou que os atingidos redigiram um manifesto pedindo transparência nas negociações e que a empresa seja responsável pelo ressarcimento de todos os prejuízos, inclusive ambientais, além da reconstrução de escolas e postos de saúde que foram perdidos com o rompimento da Barragem de Brumadinho.

“Que garanta também a renda emergencial para aqueles que não conseguem viver depois do que a Vale fez. Pescadores, ribeirinhos, agricultores familiares, os que vivem do turismo que estão absolutamente sem renda”, acrescentou o coordenador.

Histórico
Há quase dois anos, em 25 de janeiro de 2019 o rompimento de uma barragem da empresa deixou 259 mortos e 11 desaparecidos. Segundo o Ministério Público, a Vale foi responsável pelo rompimento, uma vez que não teria realizado a manutenção necessária para garantir a segurança dos trabalhadores da empresa e dos moradores da região.

Reportagem – Karla Alessandra
Edição – Cláudia Lemos

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