Linha de frente: farmacêuticos da rede estadual reforçam combate à pandemia


A pandemia de Covid-19 tem sido um desafio para todos. Mas o revés pode ser maior para aqueles que estão atuando na linha de frente para frear a propagação da doença e para reforçar os cuidados com a saúde de pacientes. No Dia do Farmacêutico, comemorado nesta quarta-feira (20), a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), do Governo do Ceará, mostra o desempenho desses profissionais no combate ao coronavírus.

Além do trabalho na assistência de pacientes, com orientações sobre o uso de remédios, os farmacêuticos são responsáveis pela logística de medicamentos e pelo seu uso racional. Os profissionais também minimizam riscos e realizam capacitações para reduzir danos, bem como orientam para o contato com materiais potencialmente contaminados.

Foi esse o papel desenvolvido pelo farmacêutico Claudevan Freire, de 36 anos, no Hospital São José de Doenças Infecciosas (HSJ). Freire relata que o período mais agudo da pandemia foi um dos momentos mais difíceis da sua vida – profissional e pessoal. “A rotina mudou demais. Eu, como farmacêutico hospitalar, orientava pacientes nos leitos. Com a pandemia, as enfermarias ficaram bloqueadas e, para ter acesso, precisávamos de uma paramentação maior; reduzimos a entrada nos espaços”, afirma. “Além disso, aumentou demais a demanda por medicamentos. Era desafiador para nós e para os usuários”.

Além das dificuldades impostas pela rotina, o farmacêutico diz que o medo foi outro grande obstáculo. “É preciso estar bem preparado psicologicamente. Você precisa estar bem para orientar as pessoas, mas também tem medo. Medo de morrer, porque a morte era uma realidade. Vi pessoas falecendo no hospital, familiares meus morreram, a pandemia foi algo muito real para mim”, lamenta. Freire perdeu cinco parentes em decorrência da doença e precisou sair da casa da mãe, que faz parte o grupo de risco.

Claudevan Freire, de 36 anos, atua como farmacêutico no HSJ e afirma que a empatia pelo próximo tem o ajudado a trabalhar

Para driblar o medo, o profissional afirma que aprofundar-se nos protocolos estabelecidos pelas organizações de saúde o ajudou a encontrar segurança. “Trabalhar com técnica, baseado nos protocolos, me dava segurança, seja com relação à prevenção ou na assistência ao paciente”, explica. “A empatia foi um grande aprendizado. Nós, como profissionais, temos que nos colocar na pele do outro. É preciso ter empatia com o usuário. Boas condutas fazem bons desfechos”.

Farmácia clínica e trabalho ampliado

A rotina da farmacêutica do Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (HSM), Virna Jucá Saraiva, de 48 anos, também passou por mudanças. A profissional, que coordena há quatro anos o serviço de farmácia na unidade, teve de se apropriar de novos serviços, tendo o coronavírus como um potente agravante. “Nossa equipe teve que se dedicar e se arriscar muito. Foram meses de muito trabalho e novos desafios, em que estivemos muito atentos e empenhados em várias vertentes”.

No HSM, a aquisição de produtos, armazenamento, distribuição e controle do estoque é responsabilidade do setor de Farmácia, que tem sete profissionais da unidade hospitalar. Durante a pandemia, novas atribuições surgiram. “A equipe de farmacêuticos ainda realizou testes rápidos de identificação da Covid-19 com o objetivo de monitorar a saúde dos pacientes e funcionários do hospital. Nós intensificamos também a orientação das equipes sobre o uso e descarte correto dos materiais”, afirma.

Virna Jucá Saraiva, de 48, coordena o setor de Farmárcia do HSM há quatro anos

Outro desafio em meio à pandemia é a implantação da farmácia clínica, que insere o farmacêutico na equipe multiprofissional dentro da unidade de internação, no cuidado com pacientes, verificando possíveis intoxicações medicamentosas, erros de medicação (prescrição, administração, esquema posológico – tempo de ação e a dose terapêutica do medicamento em questão) e efeitos adversos. “Com essa nova atuação, podemos garantir mais segurança, saúde, qualidade de vida e efetividade no tratamento do paciente”, ressalta Saraiva.

O farmacêutico do Hospital Regional do Sertão Central (HRSC) Jeimes Lennon Cândido também concorda que o maior desafio da pandemia foi “lidar com o novo”, principalmente na fase inicial, quando não se tinha uma terapia farmacológica para a doença. “Outro grande desafio da assistência farmacêutica tem sido garantir os insumos necessários para o tratamento, tendo em vista que o aumento no consumo de medicamentos como sedativos, anticoagulantes, além de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), elevou de forma exponencial em todo o mundo, sendo o profissional farmacêutico indispensável para garantia do uso racional destes insumos”, destaca

Jeimes Lennon Cândido, farmacêutico do HRSC, ressalta o desafio da rotina de trabalho remoto

De acordo com Cândido, desenvolver atividades clínicas como análise de prescrições, investigações de reações adversas a medicamentos e intervenções farmacêuticas de forma remota (por meio de ligações e envio de relatórios à equipe multidisciplinar), foi mais uma barreira a ser superada “Apesar das dificuldades vividas inicialmente, conseguimos definir uma rotina que vem trazendo excelentes resultados, como uma taxa de aceitação crescente das intervenções das UTIs Covid e uma diminuição gradativa dos problemas relacionados a medicamentos”, sublinha. “Contribuir para a segurança e o bem-estar do paciente sempre será nossa prioridade, independente do cenário vivido”.

Nova realidade

No Hospital Geral Dr. César Cals (HGCC), o setor farmacêutico teve de se adaptar à nova realidade imposta pela pandemia do coronavírus. Medidas foram adotadas para minimizar a propagação da doença e seu impacto no local de trabalho. Também foram implantadas estratégias para prevenção de uma possível escassez de medicamentos para combater a Covid-19. Além disso, a rotina passou por mudanças em relação à seleção de medicamentos e dispensação.

“A maior preocupação estava relacionada à falta significativa de fármacos essenciais para uso no combate à Covid-19. Fizemos uma análise da movimentação dos insumos diariamente e buscamos alternativas terapêuticas junto ao corpo clínico, além de acompanhar a situação dos estoques com os fornecedores”, compartilha Ana Amélia Gonçalves, chefe do centro de Farmácia do HGCC.

Para favorecer o atendimento, outras medidas foram tomadas, como a confecção e disponibilização de kits de intubação para agilizar o cuidado ao paciente; rotação da equipe, com atividades remotas e protocolos de segurança. Para a farmácia ambulatorial, foram adotadas estratégias como renovação automática do laudo de medicamento especializado e dispensação da medicação prolongada.

‘Coração do hospital’

Segundo a farmacêutica Andreza Costa, integrante da equipe do Hospital e Maternidade José Martiniano de Alencar (HMJMA), unidade de média complexidade, atribui a Farmácia ao “coração do hospital”. “Estamos presentes em cada setor, em cada operação”, justifica. “O trabalho da Farmácia vai desde a aquisição até a dispensação correta e racional de cada insumo. No caso do HMJMA, não temos farmácia ambulatorial, então não temos contato direto com o paciente. Mas trabalhamos juntos pela recuperação e bem-estar dele em cada setor. Seja ao fazer exames de imagem, cirurgia, ao dar a luz na maternidade ou durante internação. O paciente pode não nos ver, mas estamos presente”.

Farmacêutica Andreza Costa e coordenador da Farmácia do HMJMA, Carlos Renato Holanda, auxiliam na recuperação de pacientes em cada setor

Coordenador do setor de Farmácia do HMJMA, o tenente-coronel da Polícia Militar, Carlos Renato Holanda, disse se orgulhar do trabalho executado na instituição. “Quando vemos os resultados e recebemos agradecimentos, mesmo por meio dos colegas, sabemos que estamos fazendo o certo e foi por isso que escolhemos essa profissão.”, destacou Holanda, que coordena o setor há 26 anos.

Fonte: Governo CE

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