Ações da Polícia Civil em 2020 resultaram na localização de 44 foragidos da Justiça do Ceará em outros estados


A procura pelo distanciamento do local onde cometeu um crime, a troca de Estado, uma nova rotina ao redor de pessoas desconhecidas. É assim que a maioria dos 44 foragidos da Justiça cearense buscaram escapar do radar da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE). Porém, a troca de informações e o trabalho conjunto foram fundamentais para a localização e capturas dos alvos. Os crimes praticados foram os mais variados: homicídios, tráfico de drogas, roubo, estupro de vulnerável, estelionatos e outros.

Em 2020, dos 44 capturados, 40 são homens e quatro são mulheres. Essas pessoas escolheram 12 estados e o Distrito Federal para a rota de fuga. São eles: Bahia, Distrito Federal, Maranhão, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe. Trinta e um foragidos foram capturados em estados nordestinos, esse número representa 70,4% do total. Para o delegado geral da PCCE, Marcus Rattacaso, as capturas em estados fronteiriços ao Ceará estão relacionadas justamente a “essa proximidade entre os estados, o que faz com que exista um fluxo de foragidos daqui para lá e de lá para cá. Seria uma forma de se manter distante, por ser outro estado, mas manter-se perto por estar nas divisas”, explicou Rattacaso.

O delegado informou ainda que existe uma aproximação e um diálogo permanente entre os departamentos de inteligência das Polícias Civis do Brasil e que a troca de informações possibilitam que as ações de captura tenham mais êxito, dessa forma, “quando montamos uma operação e precisamos de apoio, esse apoio nos é concedido de forma expressa – e a recíproca é verdadeira”, ressaltou.

Os quase 2.908 quilômetros que separam Santo André em São Paulo de Itaitinga/CE, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), não foram suficientes para evitar que Valesca Teixeira dos Santos (22), investigada pela participação em, pelo menos, dez homicídios ocorridos em Itaitinga ainda em 2020. O trajeto entre as duas cidades se estende por cinco estados e foi percorrido por ela para tentar fugir da mira da PCCE, mas apesar do esforço de se manter longe dos olhos da Polícia, ela foi presa em dezembro do ano passado.

Valescaé uma das quatro mulheres que integram a lista de foragidos capturados em outros estados da federação no ano passado. Também integram a lista, Eduarda Ferreira Luiz (27), que responde pelo homicídio de uma criança de três anos, de quem era madrasta; e Lucivância Abreu Marques (38) suspeita de matar o amante em setembro de 2019. A vítima era comparsa dela e, em 2015, matou o homem com quem Lucivância foi casada. Ambas foram capturadas no Rio Grande do Norte. A quarta integrante da lista trata-se de Maria de Fátima Araújo de Maia (45), também capturada no RN, por tráfico de drogas.

Já em 7 de julho, policiais civis da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) capturaram Francisco Cilas de Moura Araújo (44), o “Mago”. O homem era apontado como o chefe do tráfico de drogas do município de Caucaia, a segunda maior cidade do estado, e um dos homens mais procurados pela Polícia. Ele foi localizado em um apartamento no bairro Urugui em Teresina, no Piauí. Ligados a ele, foram localizados Alban Darlan Batista Guerra, que seria seu braço direito e responsável por dezenas de homicídios em Caucaia, e Alexandre Magno Rodrigues Vieira, mais conhecido como “DJ Alexandre Fabuloso”. Ambos foram encontrados no Rio de Janeiro. Alban Darlan foi localizado, em 31 de julho, mas morreu em confronto com policiais civis do RJ que foram em sua captura. Já “DJ Alexandre Fabuloso” foi preso em novembro, quando se deslocava para um show. Ele foi autuado por promover e enaltecer uma organização criminosa chefiada por Cilas.

Marcus Rattacaso explicou que alguns presos, a exemplo de Cilas ou de Francisco Marcileudo Mesquita de Silva (38), o “Dão”, capturado, dia 11 de junho, em uma ação conjunta da Draco com o Departamento de Inteligência da PCCE e da Polícia Civil do Piauí (PCPI), que exercem função de hierarquia em determinados grupos criminosos, buscam refugio em outros estados quando as ações de localização dos alvos passam a ser intensificadas.

“Esses criminosos, que geralmente tem uma posição de destaque na escala hierárquica, preferem se ausentar do estado, pensando que, com a fuga e a mudança de domicílio, poderão agir, sem nenhuma pressão da Polícia para capturá-los. Ledo engano, pois, com o trabalho desenvolvido e a junção das forças, é possível localizar e recambiar ao Estado para que paguem pelos crimes cometidos”, finalizou Rattacaso.

Fonte: Governo CE

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