TURISMO RELIGIOSO – VIA-SACRA


Aproveitando que acabamos de vivenciar a Semana Santa, trouxemos para vocês, nossos leitores, uma matéria muito especial com um toque de turismo religioso. Fomos até a cidade de Garanhuns, no agreste pernambucano. Garanhuns fica situada entre sete colinas, uma delas é a colina Columinho. E é de uma particularidade dela que falaremos hoje.

O Alto do Columinho, como é conhecido, é famoso por conter uma réplica da Via-Sacra, sendo composta por 15 estações ilustradas que perfazem todo um trajeto até um santuário formado por duas paredes perpendiculares, tendo a imagem de Jesus Cristo crucificado no centro.

Realizada normalmente durante a Semana Santa e nas sextas-feiras do período da Quaresma, a Via-Sacra é um ato litúrgico celebrado pela Igreja Católica para relembrar a paixão e morte de Jesus Cristo.

Esta maneira de meditar teve origem no tempo das Cruzadas no século X. Os fiéis que peregrinavam na Terra Santa e visitavam os lugares sagrados da Paixão de Jesus, continuaram recordando os passos da Via Dolorosa de Jerusalém. Em suas pátrias, compartilharam esta devoção à Paixão.

No percurso encontramos as quinze estações, são elas:

Primeira estação: Pilatos não encontra particulares culpas que possa atribuir a Jesus, cede à pressão dos acusadores e, assim, o Nazareno é condenado à morte.

Segunda estação: Jesus é coroado com uma coroa de espinhos e colocam-lhe para carregar um lenho pesado, a cruz onde são pregados os condenados.

Terceira estação: Jesus cai. As feridas, o peso da cruz, a estrada a subir em mau estado. E os empurrões da multidão.

Quarta estação: Na subida para o Calvário, Jesus entrevê sua mãe. Os seus olhares cruzam-se. Compreendem-se. Maria sabe qual é a sua missão. Maria sabe que é sua mãe; mas sabe também que é sua filha.

Quinta estação: Acompanhando Jesus e compartilhando o peso da cruz, de forma involuntária, o cireneu compreende que é uma graça poder caminhar junto com aquele Crucificado. O mistério de Jesus, que sofre calado, toca-lhe o coração.

Sexta estação: Verônica, uma das mulheres que segue Jesus, que intui quem Ele é, que O ama sofre ao vê-Lo sofrer. Quer aliviar os seus sofrimentos. Pega num pano, e tenta enxugar sangue e suor daquele rosto.

Sétima estação: Pela segunda vez, enquanto avança pelo caminho estreito do Calvário, Jesus cai. Subindo ao madeiro, Ele levou os nossos pecados no seu corpo.

Oitava estação: No meio da multidão que O segue, há um grupo de mulheres de Jerusalém: conhecem-No. Vendo-O naquelas condições, misturam-se com a multidão e sobem para o Calvário. Choram. Jesus entende o sentimento de compaixão delas.

Nona estação: A subida da estrada é breve, mas a sua fraqueza é extrema. Jesus está esgotado não só fisicamente mas também no espírito. Sente sobre Si o ódio dos chefes, dos sacerdotes, da multidão.

Décima estação: Jesus está nas mãos dos soldados. Como todo o condenado, é despojado das vestes, para ser humilhado.

Décima primeira estação: Jesus é crucificado. São cravados pregos de ferro que lhe rasgam a carne, dilacerando mãos e pés. A cruz é erguida, Jesus fica suspenso entre o céu e a terra.

Décima segunda estação: Jesus morre na cruz. Horas de angústia, horas terríveis, horas de dores físicas desumanas.

Décima terceira estação: Às vésperas do sábado, José de Arimateia foi a Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Com a permissão de Pilatos, José comprou um lençol de linho, desceu o corpo da cruz e o enrolou no lençol.

Décima quarta estação: Um profundo silêncio envolve o Calvário. No seu Evangelho, João atesta que o Calvário se encontra num jardim, onde existe um sepulcro ainda não usado. E é lá precisamente que os discípulos depõem o corpo de Jesus.

Décima quinta estação: No Domingo de madrugada, as mulheres foram ao túmulo e viram que estava vazio. Dois homens com vestes claras e brilhantes lhes perguntaram: “Por que procuram entre os mortos quem está vivo? Ele não está aqui, mas ressuscitou”.

A Via-Sacra a reconstituição religiosa feita para lembrar o sofrimento de Jesus Cristo durante sua missão redentora, é um exercício de piedade praticado pelos fiéis. Por isso mesmo, sua prática é muito recomendada pelos Sumos Pontífices como tentativa de provocar uma reflexão valorosa sobre a Paixão de Cristo.

Texto e imagens: Natânia Melo / Agência FNI

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